Ceres Prado
Se formou em jornalismo pela USP em 2005, na época trabalho em uma ONG de informação sobre deficiência. Mas mudou de carreia ao se formar, ingressando no curso de educação física pela mesma Universidade. Trabalhou em diversas áreas como esporte (universitário e com crianças no clube escola), musculação, exercício para grupos especiais (asmáticos e idosos), ginástica laboral e educação pelo esporte pelo instituto Sou da Paz.
Em 2010 se formou em Educação Física e no ano seguinte passou a escrever para o UOL na editoria de Ciência e Saúde, escrevendo principalmente sobre dieta e boa forma. Mesmo assim, continua atuando na área de Educação Física como personal trainer e professora de ginástica laboral.
Nesta coluna, ela vai escrever sobre saúde, qualidade de vida, exercícios e emagrecimento.


A correta hidratação ajuda a afastar a fadiga e dá ânimo para o dia a dia

Considerando que cerca 70% do nosso corpo é composto de água, ninguém duvida da importância que ela tem em nossa saúde. Mas no dia a dia negligenciamos a hidratação do nosso corpo e nem percebemos que muitas vezes aquela dor de cabeça, aquele cansaço ou coração acelerado sem motivo aparente podem ser resolvidos apenas com um copo d’água.

Em geral, quando sentimos sede, já estamos com algum grau de hidratação, por isso é essencial o consumo de líquidos, em especial a água, durante o dia, não só quando sentimos sede. Idosos e crianças merecem atenção especial, já que o mecanismo da sede nesses indivíduos é ainda mais ineficiente e eles podem ter desidratação e não sentir sede.
Para resolver este problema, é preciso criar o hábito de tomar água constantemente, mantendo garrafa com água na mesa de trabalho ou na bolsa. Para crianças e idosos é preciso oferecer líquidos durante o dia todo, de meia em meia hora, garantindo que não vão se desidratar.
Durante o exercício a correta hidratação é essencial. Em geral, quando o indivíduo já começa o exercício desidratado tende a sentir mais sede. Mas mesmo sem sede, é preciso manter o hábito de repor a água que se perde com o suor.
Para atletas de alto nível, que fazem treinamento muito intenso ou longo, é preciso repor, além da água, os sais perdidos no suor, para isso existem as bebidas isotônicas. Para exercícios menos intensos, praticados pela maioria da população, apenas a água já é suficiente para reidratar.
Ao realizar um esforço físico com o corpo desidratado o cansaço é mais rápido e o rendimento é menor. O volume de sangue fica menor pela falta de água no corpo, com isso o coração acelera os batimentos para compensar o menor volume. Para gerar energia, as células também precisam de água, quando ela falta, os músculos têm menor capacidade de trabalho. Por ter menor volume sanguíneo, o corpo limita a circulação periférica (mais perto da pele) o que dificulta a sudorese e o mecanismo de regulação da temperatura do corpo, que pode superaquecer, causando até mesmo desmaios.
Como a absorção da água de tomamos demora um tempo para acontecer no estômago e fazer exercícios com a barriga cheia de água é desagradável, é preciso consumir água antes dos exercícios, garantindo que o corpo vai iniciar o esforço com um volume de água adequado. Desta forma, a água consumida durante e após o exercício será responsável apenas por repor o que for perdido no suor.
Além de tudo isso, o consumo constante de água ajuda a controlar o apetite e melhora o metabolismo do corpo, o que ajuda a emagrecer. Quando estamos desidratados não há creme que mantenha a pele e os cabelos bem, pois os cremes apenas evitam que a água do próprio corpo saia.
Mas cuidado para não utilizar bebidas com muito açúcar como única fonte de água, pois elas são muito calóricas. O ideal é consumir sucos de frutas, chás e principalmente água pura. Quem não gosta de tomar água pode criar o hábito utilizando garrafas mais bonitas, copos e canecas atrativos, tudo para chamar sua atenção para sua saúde.
Postado por: Ceres
Postado em: 03/01/2012 - 09:43:49
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No dia 14 de novembro se celebra o Dia Mundial do Diabetes, data que existe para incentivar eventos que tragam informação à população sobre esta doença que é uma das que mais cresce no mundo.

Com a grande prevalência do diabetes no mundo, é de se admirar que ainda exista tanta ignorância e tantos mitos sobre ele. Mesmo aqueles que são acometidos pela doença carecem de informação sobre o bom tratamento.

 Durante todo o mês de novembro, as entidades de apoio aos diabéticos e os postos de saúde organizarão eventos de prevenção e conscientização da doença. Alguns vão se vestir de azul com o símbolo do dia, prédios serão iluminados de azul no dia 14 e quiosques de medição de glicemia, pressão arterial, colesterol e outros serão espalhados pelo país. Mas este esforço de nada adianta se os preconceitos acerca da doença continuarem a ser passados e se os diabéticos que de fato se informam se escondam por medo do preconceito.

Conhecer e conviver com um diabético é uma experiência rica para os que tiverem interesse e paciência para entender como realmente funciona a doença e o tratamento. Aqueles que já conviveram com alguém com diabetes bem controlado e que aceitou o problema também têm mais facilidade para aceitar um possível diagnóstico no futuro. Mas vamos ao que importa, o que você de fato precisa saber sobre o diabetes melitus, ou dm para os íntimos?

Primeiro, ele não é tão incomum assim, afeta mais de 7% da população brasileira e os números vem crescendo, especialmente pelo aumento do sobrepeso, da obesidade e do sedentarismo no país. Existem vários tipos de dm, os três mais conhecidos são o tipo 1 (juvenil ou insulinodependente), o tipo 2 e o gestacional (muito parecido com o tipo 2, mas costuma desaparecer depois do parto).
Os sintomas em geral são cansaço, emagrecimento, sede excessiva, urinação frequente, urina doce (não beba, às vezes é útil saber disso quando vemos formiga no vaso sanitário), irritações genitais (por conta do açúcar na urina), vista embaçada e dificuldade de cicatrização.
O exame diagnóstico é a glicemia (quantidade de glicose no sangue), de preferência em jejum. Ela pode ser feita por exame laboratorial ou em um aparelho caseiro, chamado glicosímetro, que também serve para ajudar no controle de quem já tem a doença. Se a glicemia está acima de 100mg/dl (alguns médicos consideram normal apenas até 90) é um sinal de alerta, da possibilidade de diabetes, acima de 126 já são feitos outros exames, pois o valor já caracteriza a presença da doença.


Tipos de diabetes
O diabético tipo 1 em geral é criança ou jovem, magro e não necessariamente tem maus hábitos de vida (problemas de alimentação e sedentarismo). Este diabético não produz ou produz muito pouco do hormônio insulina, que coloca a glicose para dentro das células. Sem a glicose as células ficam casadas e o a glicose que não entrou nas células fica passeando na corrente sanguínea fazendo um monte de estragos. Como este diabético não produz insulina, sua glicemia (quantidade de glicose no sangue) fica muito, mas muito alta (às vezes 300, 400 ou até 900 de glicemia), então os sintomas são fortes e o diagnóstico é rápido. O tipo 2 em geral (nem sempre) é mais velho e acima do peso. Hoje em dia, com o aumento da obesidade infantil a doença virou hit entre os mais jovens também. Neste diabético o corpo produz a insulina, mas ela não funciona direito. Como ela funciona um pouco, em geral a glicemia não dispara tanto nem tão rápido, muitas vezes os sintomas são tão brandos que quando a pessoa descobre, a doença já fez um baita estrago. O dm gestacional é bem parecido com o tipo 2, mas geralmente some após a gravidez, mas se não for controlado pode causar danos no bebê.

Mulheres que tiveram dm gestacional são mais propensas a ter diabetes tipo 2.
Da diferença pelos tipos de diabetes já podemos perceber alguns preconceitos. Como o tipo 1 é mais raro (entre 5 e 10% dos casos), sofre de diversos preconceitos causados por quem só conhece o tipo 2. Este tipo de dm não tem ligação clara com hábitos de vida (em outras palavras, não é por que comeu muito doce), ele acomete pessoas magras e jovens e, por não produzir insulina, o tratamento sempre é feito com injeções deste hormônio e isso não significa que a doença está mais avançada. Muitos perguntam ao diabético tipo 1 se ele melhorou, como a doença é crônica, isso tende a irritar a pessoa que sabe que ela não vai “melhorar” vai ser sempre diabética e sempre tomar insulina, o que não significa que sua qualidade de vida será ruim.

O tipo 2 pode conseguir controlar sua doença com dieta e exercícios, medicamentos orais ou insulina. Em geral a perda de peso ajuda muito no tratamento, muitas vezes fazendo o dm desaparecer, mas não é uma cura, se engordar novamente tudo volta ao que era. Neste tipo de diabetes, é comum que pessoas que tomam insulina no início e melhorem seus hábitos de vida e passem a não precisar mais dela. O diabetes gestacional é parecido, mas os medicamentos orais não são indicados para as gestantes.
Na alimentação existem também diferenças. Dependendo do tratamento, o diabético tipo 1 pode ter uma alimentação totalmente normal (evitando apenas líquidos muito doces que alteram a glicemia com muita velocidade). Podem comer doces, massas, etc. Apenas tomando os mesmos cuidados que qualquer mortal para não engordar, pois o aumento do peso dificulta o tratamento. As medições da glicemia devem ser constantes (acima de 6 por dia).

Já o diabético tipo 2 em geral deve evitar comidas calóricas e que façam a glicemia subir muito rápido (doces, massas de farinha branca) e precisa fazer uma dieta para emagrecer. Mas a alimentação não é nada diferente do que é saudável para qualquer um. Alimentos integrais (fibras)fazem a glicemia subir mais devagar, dando tempo para o corpo resolver o problema. Bebidas doces, açúcar refinado e massas com farinha branca fazem a glicemia subir rapidamente e o corpo não dá conta. Esses picos de glicose no sangue depois das refeições faz um baita estrago no corpo e devem ser evitados.


Mas por que tratar o diabetes?
Além dos sintomas chatos que já descrevi, todo mundo já deve ter ouvido que diabético precisa amputar, ou fica cego e tem insuficiência renal. Na verdade, o dm age nos vasos sanguíneos no corpo todo. A glicose em excesso caminha pelo corpo pela corrente sanguínea causando danos nos capilares. Esses danos podem ocorrer nos rins (causando insuficiência renal que pode levar à morte), nas retinas (causando descolamento e cegueira), no coração (pode levar a uma parada cardíaca), nos membros (causando insensibilidade, dor ou dificuldade de cicatrização que pode levar à amputação) entre outros. Até mesmo impotência o dm pode causar nos homens.

Além disso, com o tratamento a glicemia cai (hipoglicemia, ou simplesmente hipo), e pode cair demais, o diabético pode até morrer disso. Quando um diabético começa a tremer, suar frio, ter confusão mental ou até convulsionar, ele precisa de açúcar, rápido, qualquer coisa doce. Se ele não conseguir engolir, passe açúcar ou mel nas bochechas. Existe também uma injeção chamada glucagon para ser utilizada nestes casos. Quem convive de fato com um diabético deve aprender a aplicar.

Um tratamento com muitos altos e baixos causa mais hipoglicemias graves. Por isso também o diabético deve comer pouco e com frequência (aquelas mesmas 3h que todo mundo ouve que é o tempo saudável entre refeições), comendo pouco, usa menos medicamento e tem menos risco de hipo, comendo com frequência não deixa a glicemia cair muito. Diabético que se trata apenas com dieta e exercício obviamente não tem hipos, já que elas são um efeito colateral do medicamento.


Mas por que digo tudo isso?
Você pode um dia vir a ter diabetes, saber disso vai te ajudar. Se você tem diabetes, muita coisa você já sabe, mas outras poderão te ajudar. Se você tem algum dos sintomas vai procurar um médico logo para confirmar ou se livrar da dúvida.
E quando você encontrar um diabético, vai ter informação para não ser preconceituoso. Afinal de contas, ninguém merece ouvir toda vez que vai na pizzaria que é uma fresca por comer pizza e exigir refri light, ou olhares condenadores ao comer um doce. Aliás, os piores mesmo são os olhares de dó “mas já tomando insulina”, ou horrorizados com as injeções.

Na dúvida, não ache que sabe mais do que quem vive 24h por dia com ele, respeite, se sentir curiosidade, pergunte. Medo ou raiva da insulina, jamais, ela permite a vida e a qualidade de vida aos diabéticos que precisam dela.
Alias, voltando ao Dia Mundial do Diabetes, a data foi escolhida devido ao nascimento do cientista canadense Frederick Bantin que, em parceria com Charles Best, foi responsável pela descoberta da insulina, em outubro de 1921. Dois anos mais tarde, Banting recebeu o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta. Desde então muita coisa mudou, mas estes dois transformaram uma sentença de morte numa possibilidade de vida feliz.
Então pegue sua roupa azul, acenda luzes azuis em casa, no trabalho, faça exercícios, se alimente bem e divulgue o que aprendeu, só assim podemos brecar o avanço do diabetes no mundo.

Postado por: Ceres Prado
Postado em: 12/11/2011 - 09:39:31
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